sábado, 17 de setembro de 2011

A Mina Taurus



— Bom dia! Posso entrar?

— Claro! Todos aqui são muito bem vindos.

— Então...

— Em que posso ajudar?

— Nada, não. Acho melhor eu ir.

— Tudo bem. Vá.

— Esse não é o momento em que você me diz: “Imagine, garota. Se você veio até aqui, é porque precisa de alguma ajuda. E estou aqui para isso. Volte, sente-se e se abra comigo. Garanto que lhe fará bem.”?

— Não. Sou apenas atendente de uma agência de encontros. Não tenho diploma de psicologia.

— Está bem, eu volto. Sei que você quer isso.

— Nome?

— Melina.

— Idade?

— 23.

— Signo?

— Touro.

— O que procura?

— Nada, não. Acho melhor eu ir.

— Tudo bem. Vá.

— Você não pode ser mais compassiva, não?

— Meu trabalho é preencher uma ficha com seus dados e encontrar uma pessoa com gostos semelhantes. Não preciso ser compassiva.

— Ai...

— O que procura?

— A saída.

— Que saída?

— Do labirinto.

— Seja mais específica.

— Do labirinto do amor! Estou presa nele há um bom tempo, como se tivesse sido enfeitiçada. E espanto todos que têm coragem de vir até mim.

— Por que isso acontece?

— Meio que o egoísmo, o apego e a avareza prosperam nesses momentos. Dizem que é coisa do signo. Daí meu apelido: Mina Taurus.

— Tudo bem, mas, afinal, o que você procura?

— Acho que alguém que me compreenda, porque meu último namorado estava indo bem, até que fez uma curva sem caída. Ele comprou o melhor presente de Dia dos Namorados que alguém é capaz de inventar, reservou o melhor restaurante, o melhor motel... Mas, quando eu lhe disse que meu presente para ela era minha presença, íntima e gratuita, ele decidiu terminar. Disse que sou avarenta. Só que, como eu disse, a culpa é do signo de Touro.

— Bom...

— Ah, e teve meu namorado anterior a esse, que errou o caminho no meio do labirinto. Quando começamos a namorar, ele prometeu ser fiel e estar ao meu lado em todos os momentos da minha vida. Eu levei isso um pouco a sério, então, quando ele não podia estar perto de mim, eu ia pra perto dele. Fazia questão de estar na cabeceira da sua cama sempre que ele acordava e de aparecer atrás do balcão, sempre que ele saía para beber. Depois de um jogo de futebol dele, quando eu entrei no vestiário para ficar do lado dele, ele quis terminar. Disse que sou muito apegada. Porém, não é minha culpa; é do signo de Touro.

— Sabe...

— Não posso me esquecer do meu primeiro namorado! Esse conseguiu sair pelo mesmo lugar que entrou. Caiu fora logo que achou que já tínhamos intimidade e quis me levar para a cama. Mas, da mesma forma que não compartilho celular, notebook, nem brilho labial, não ia oferecer meu corpo a ele. Estava feliz com minha genitália sendo tocada apenas por mim. Não queria compartilhá-la. Então, ele me chamou de egoísta e desistiu de mim. Mais uma vez, culpa do signo de Touro!

— Hum...

— E então, o que me diz?

— Tenho a pessoa ideal para você.

— Sério? Ele é loiro, alto, atlético?

— O nome dele é Homero e tem 62 anos. Este é o endereço. É o melhor psiquiatra que eu conheço. Só ele é capaz de matar o seu minotauro.

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